..........."Convém que o trabalho das crianças não seja uma simples cópia; é necessário que seja realmente a expressão de seu pensamento." Ovide Decroly

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domingo, 15 de maio de 2011


Encontro de Professores 1°s e 2°s anos de escolaridade

Nos dias 09,10,11 e 12 de maio ocorreu nas dependências do CECAP o Encontro de Professores dos 1°s e 2°s anos de escolaridade, abordando o tema Alfabetização e Letramento. O processo de alfabetização é aqui entendido como a apropriação do sistema de escrita, que pressupõe a compreensão do princípio alfabético, indispensável ao domínio da leitura e da escrita. Já o letramento refere-se às práticas e aos usos sociais da leitura e da escrita em diferentes contextos. Este assunto causa dúvidas aos professores quanto à aplicação da sondagem e ao diagnóstico da hipótese de escrita em que a criança se encontra.

É imprescindível ressaltar que dentro desse processo encontram-se as competências e habilidades tão presentes nas avaliações externas como a Provinha Brasil, vale enfatizar que a ação do professor deve se mostrar significativo nesse processo, ou seja, com base nos resultados apresentados após a aplicação da Provinha Brasil há a caracterização de quais habilidades os alunos já desenvolveram e quais intervenções o professor deverá fazer, a fim de que o alunado possa progredir ao longo do processo ensino-aprendizagem.

Segue na pasta da disciplina de Língua Portuguesa as atividades referente a dinâmica aplicada. Agradecemos o carinho e a participação de todos os professores!



domingo, 3 de abril de 2011

Encontro de Professores 2011

Nos dias 28,29, 31/03 e 01/04 foram realizados encontros com os professores de 3° e 4° anos de escolaridade. Nesses dias conversamos sobre Habilidades e Competências e trocamos ideias e experiências relacionadas ao tema. Segue nas pastas de cada disciplina (Língua Portuguesa e Matemática) algumas atividades executadas no momento de prática. Agradecemos a significativa participação de todos os professores!


VÍDEO: ORA BOLAS - ENCONTRO 4° ANO


http://www.youtube.com/watch?v=AewiIY5jHy0


MENSAGEM FINAL: EDUCAR É TUDO DE BOM


sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Instruções Gerais - Ensino Fundamental I



São Vicente, 10 de março de 2011.


Professor, você que está sempre antenado, se ligue nos cursos do Proler.

Dia 15/03 (terça-feira)

Horário: 9 horas Local: Consistório da UNISANTA

PALESTRA: "A importância da biblioteca na educação para a cidadania".

Palestrante: Maria Christina Moraes Tavares

INSCRIÇÕES: pelo tel: 3202-7100 RAMAL 128 - VAGAS LIMITADAS

* Haverá atestado de frequência.


DIA 26/03 (sábado)

Horário: das 9h às 13h (1º módulo) e das 14h às 18h (2º módulo)

Local: Cineclube Lanterna Mágica - Rua Cesário Mota, 08 - 5º andar - Bloco E

MINICURSO: "Brincar de Cinema - uma viagem ao mundo da sétima arte".

INSCRIÇÕES: SOMENTE no Proler - Rua Oswaldo Cruz, 277
De 2ª à 6ª feira das 8h às 12h

VALOR: R$ 15,00 (os participantes receberão apostila, DVD e Certificado)



São Vicente, 25 de fevereiro de 2011.


Instruções Gerais – Ensino Fundamental 2011

Diário de classe – É um documento oficial da escola e por isso deve sempre estar atualizado e não pode ser retirado da U.E.. Registrar a frequência diária (não aferir presença ao aluno que tenha faltado), o conteúdo bimestral (por Disciplina) e a apuração final da nota do aluno por disciplina e o total de faltas do aluno no bimestre. Todas as observações pertinentes devem ser registradas no campo 11 (generalidades).
Registrar os alunos de acordo com a listagem da PRODESP fornecida pela Secretaria da Escola.

Grade Curricular – Conjunto de disciplinas e carga horária a serem trabalhadas semanalmente com cada ano de escolaridade. É importante que o docente siga a carga horária estipulada, contemplando o trabalho com as áreas do conhecimento (Disciplinas). Deverá ser anexada no Semanário (contracapa).

Programas de Ensino – Reformulados seguindo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), apresentado através de Competências e Habilidades a serem desenvolvidas e trabalhadas com os educandos.
É imprescindível que os docentes leiam e se apropriem dessa proposta de trabalho, tendo-a sempre a mão para consulta e encaminhamento dos conteúdos.

Plano/Planejamento Anual (Estratégias e Avaliação) – É necessário que todo o documento que comprove o percurso percorrido no processo de ensino-aprendizagem seja muito bem descrito e esteja de acordo com as suas características peculiares. O registro deve ser feito por Disciplina. Entregar ao Coordenador da U.E. até o dia 18/03/2011 (sexta-feira), referencialmente digitado. Deixar registrado de forma bem clara, quais são as Estratégias que serão trabalhadas em cada Componente Curricular e especificar de que forma ocorrerá o Processo Avaliativo.
Deverá ser analisado e vistado pelo Coordenador da U.E., para posterior apreciação do Coordenador da Seduc.

Semanário – É o documento do registro pedagógico do docente. Deve ser elaborado com uma semana de antecedência. Através dele pode-se constatar como o educador programa as atividades diárias e variadas, assim como o processo de avaliação. Destina-se a promover o desenvolvimento (detalhamento) de todo o conteúdo do Programa de Ensino.
Com a elaboração do Semanário visa-se o encadenciamento de todas as atividades na proporção certa e administradas de maneira a buscar o amplo conhecimento do aluno e melhor otimização do tempo pedagógico, de acordo com a Grade Curricular.
Numa eventual ausência do professor titular, este fornece elementos e subsídios para que o professor substituto dê continuidade ao conteúdo e ao desenvolvimento da proposta.
O detalhamento do conteúdo e/ou atividades a serem trabalhadas deve conter a data e o registro das atividades e avaliações. Observar atentamente o Programa de Ensino, não deixando de lado, os conteúdos a serem trabalhados em Geografia, História, Ciências Naturais, Arte e Educação Física.
É importante salientar que este documento é a previsão do que será a aula, podendo ocorrer alterações no decorrer da semana, conforme as circunstâncias do momento. No caso de impossibilidade de ministrar a aula programada, deve-se, no próprio Semanário, registrar o replanejamento da aula e/ou atividade.
Quando trabalhar com os Livros Didáticos, registrar o nome do livro, as páginas e os conteúdos, discriminando a aula programada.
O Semanário será vistado pelo coordenador da U.E. semanalmente.

Avaliação – É um processo diário e contínuo, tendo como principal função orientar o trabalho do professor e a aprendizagem dos alunos e que se aplica desde o início da prática educativa, oferecendo elementos para que o docente possa fazer o seu planejamento e/ou replanejamento em todo o período letivo.
Também é importante ressaltar que o professor deve estar bem documentado, seguindo as orientações da Legislação vigente. Para cada Disciplina é necessário que haja no mínimo, dois instrumentos de avaliação, a fim de constatar as suas ações e possibilitar a verificação do processo ensino-aprendizagem.
As seguintes avaliações deverão ser anexadas ao semanário:
- Avaliações Diagnósticas
- Avaliações Mensais e/ou Bimestrais
- Atividades para Nota
- Dois instrumentos (no mínimo) utilizados na Avaliação Bimestral de cada Componente Curricular.
Procurar durante o ano letivo, trabalhar com atividades paralelas e diversificadas, a fim de tentar minimizar a defasagem de conteúdo de seus educandos.
- Diferenciar os conteúdos a serem aferidos nas avaliações. Ex: História, Geografia e Ciências.
Observação: As Avaliações Diagnósticas devem ser elaboradas e aplicadas em fevereiro e deverão ser unificadas por ano de escolaridade na U.E.

Avaliação Diagnóstica – É realizada inicialmente pelo educador para checar os pontos fracos e fortes do aluno na área de conhecimento em que se desenvolverá o processo de ensino-aprendizagem. Esta etapa de ensino é um meio de construção do conhecimento, de diagnóstico inicial, verificando se o educando domina todos os pré-requisitos. O resultado desta avaliação pode apontar uma necessidade de revisão de um assunto que servirá de base para outros. O conhecimento da realidade é condição preliminar para o bom andamento do ano letivo. A avaliação diagnóstica também abrange a caracterização individual e coletiva da turma.

Estratégia – É a maneira como os recursos são utilizados, para que os objetivos sejam alcançados com sucesso. A estratégia deve ser elaborada de forma a manter a atenção e a motivação dos alunos durante toda a aula. Provocando assim, debates e questionamentos para o bom desenvolvimento do tema e, se possível, aproximar os alunos de forma prática e interativa ao que está sendo estudado.

Relatório de Rendimento do Aluno – Nos primeiros dias de fevereiro o Coordenador da U.E. deverá fornecer os relatórios de rendimento (2010), para que os docentes possam ter um contato inicial com a bagagem e o aprendizado de cada aluno, auxiliando desta forma na avaliação diagnóstica da turma a ser trabalhada em 2011.
Verificar as informações contidas nesse relatório, juntamente com o resultado qualitativo da avaliação diagnóstica para definir o perfil de cada aluno e do grupo classe.

Projeto de Leitura – Durante o ano letivo, os professores deverão desenvolver o estudo e atividades afins. O registro escrito das atividades desenvolvidas com os gêneros selecionados para cada ano de escolaridade, culminando com a apresentação (Festa do Livro) ao final do ano letivo.
1º ano de escolaridade: Músicas e Parlendas
2º ano de escolaridade: Contos de Fadas
3º ano de escolaridade: Fábulas
4º ano de escolaridade: História em Quadrinhos e Tirinhas
5º ano de escolaridade: Poemas e Poesias

Visita as Unidades Escolares (Coordenadores da SEDUC) - Realizada com o intuito de acompanhar, auxiliar e orientar a realização do trabalho pedagógico junto a Equipe Escolar e corpo docente, viabilizando as diretrizes implantadas pela Diretoria de Ensino Fundamental.
Os Coordenadores da Seduc auxiliarão os Coordenadores das U.E.s e os professores em relação à prática pedagógica e acompanharão a execução do Semanário, das Avaliações, do Plano/Planejamento Anual e dos Projetos de Leitura, assim como estarão a disposição para o auxilio em outras atividades pertinentes.




FILHOS BRILHANTES ALUNOS FASCINANTES Bons filhos conhecem o prefácio da história de seus pais. Filhos brilhantes vão muito mais longe, conhecem os capítulos mais importantes das suas vidas.

Bons jovens se preparam para o sucesso. Jovens brilhantes se preparam para as derrotas. Eles sabem que a vida é um contrato de risco e que não há caminhos sem acidentes.

Bons jóvens têm sonhos ou disciplina. Jovens brilhantes têm sonhos e disciplina. Pois sonhos sem disciplina produzem pessoas frustradas, que nunca transformam seus sonhos em realidade, e disciplina sem sonhos produz servos, pessoas que executam ordens, que fazem tudo automaticamente e sem pensar.

Bons alunos escondem certas intenções, mas alunos fascinantes são transparentes. Eles sabem que quem não é fiel à sua consciência tem uma dívida impagável consigo mesmo. Não querem, como alguns políticos, o sucesso a qualquer preço. Só querem o sucesso conquistado com suor, inteligência e transparência. Pois sabem que é melhor a verdade que dói do que a mentira que produz falso alívio. A grandeza de um ser humano não está no quanto ele sabe mas no quanto ele tem consciência que não sabe.

O destino não é frequentemente inevitável, mas uma questão de escolha. Quem faz escolha, escreve sua própria história, constrói seus próprios caminhos.

Os sonhos não determinam o lugar onde vocês vão chegar, mas produzem a força necessária para tirá-los do lugar em que vocês estão. Sonhem com as estrelas para que vocês possam pisar pelo menos na Lua. Sonhem com a Lua para que vocês possam pisar pelo menos nos altos montes. Sonhem com os altos montes para que vocês possam ter dignidade quando atravessarem os vales das perdas e das frustrações. Bons alunos aprendem a matemática numérica, alunos fascinantes vão além, aprendem a matemática da emoção, que não tem conta exata e que rompe a regra da lógica. Nessa matemática você só aprende a multiplicar quando aprende a dividir, só consegue ganhar quando aprende a perder, só consegue receber, quando aprende a se doar.

Uma pessoa inteligente aprende com os seus erros, uma pessoa sábia vai além, aprende com os erros dos outros, pois é uma grande observadora.

Procurem um grande amor na vida e cultivem-no. Pois, sem amor, a vida se torna um rio sem nascente, um mar sem ondas, uma história sem aventura! Mas, nunca esqueçam, em primeiro lugar tenham um caso de amor consigo mesmos.

Augusto Cury

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Grandes Pensadores - Howard Gardner

O cientista das inteligências múltiplas

Formado no campo da psicologia e da neurologia, o cientista norteamericano Howard Gardner causou forte impacto na área educacional com sua teoria das inteligências múltiplas, divulgada no início da década de 1980. Seu interesse pelos processos de aprendizado já estava presente nos primeiros estudos de pós-graduação, quando pesquisou as descobertas do suíço Jean Piaget (1896-1980). Por outro lado, a dedicação à música e às artes, que começou na infância, o levou a supor que as noções consagradas a respeito das aptidões intelectuais humanas eram parciais e insuficientes.
Sob a influência do norte-americano Robert Sternberg, que estudou as variações dos conceitos de inteligência em diferentes culturas, Gardner foi levado a conceituá-la como o potencial para resolver problemas e para criar aquilo que é valorizado em determinado contexto social e histórico. Na elaboração de sua teoria, ele partiu da observação do trabalho dos gênios. "Ficou claro que a manifestação da genialidade humana é bem mais específica que generalista, uma vez que bem poucos gênios o são em todas as áreas", afirma Antunes. Gardner foi buscar evidências também no estudo de pessoas com lesões e disfunções cerebrais, que o ajudou a formular hipóteses sobre a relação entre as habilidades individuais e determinadas regiões do órgão. Finalmente, o psicólogo se valeu do mapeamento encefálico mediante técnicas surgidas nas décadas recentes. Suas conclusões, como a maioria das que se referem ao funcionamento do cérebro, são eminentemente empíricas. Ele concluiu, a princípio, que há sete tipos de inteligência:

1. Lógico-matemática é a capacidade de realizar operações numéricas e de fazer deduções.

2. Lingüística é a habilidade de aprender idiomas e de usar a fala e a escrita para atingir objetivos.

3. Espacial é a disposição para reconhecer e manipular situações que envolvam apreensões visuais.

4. Físico-cinestésica é o potencial para usar o corpo com o fim de resolver problemas ou fabricar produtos.

5. Interpessoal é a capacidade de entender as intenções e os desejos dos outros e consequentemente de se relacionar bem em sociedade.

6. Intrapessoal é a inclinação para se conhecer e usar o entendimento de si mesmo para alcançar certos fins.

7. Musical é a aptidão para tocar, apreciar e compor padrões musicais.

A maneira mais difundida de aplicar a teoria das inteligências múltiplas é tentar estimular todas as habilidades potenciais dos alunos quando se está ensinando um mesmo conteúdo. As melhores estratégias partem da resolução de problemas. Segundo Gardner, não é possível compensar totalmente a desvantagem genética com um ambiente estimulador da habilidade correspondente, mas condições adequadas de aprendizado sempre suscitam alguma resposta positiva do aluno – desde que elas despertem o prazer do aprendizado. O psicólogo norteamericano atribui à escola duas funções essenciais: modelar papéis sociais e transmitir valores. "A missão da educação deve continuar a ser uma confrontação com a verdade, a beleza e a bondade, sem negar as facetas problemáticas dessas categorias ou as discordâncias entre diferentes culturas", escreveu. Pela própria natureza de suas descobertas, o trabalho de Gardner favorece uma visão integral de cada indivíduo e a valorização da multiplicidade e da diversidade na sala de aula.
Mais tarde, Gardner acrescentou à lista as inteligências natural (reconhecer e classificar espécies da natureza) e existencial (refletir sobre questões fundamentais da vida humana)
e sugeriu o agrupamento da interpessoal e da intrapessoal numa só.
A primeira implicação da teoria das múltiplas inteligências é que existem talentos diferenciados para atividades específicas. O físico Albert Einstein tinha excepcional aptidão lógico-matemática, mas provavelmente não dispunha do mesmo pendor para outros tipos de habilidade. O mesmo pode ser dito da veia musical de Wolfgang Amadeus Mozart ou da inteligência físico-cinestésica de Pelé. Por outro lado, embora essas capacidades sejam independentes, raramente funcionam de forma isolada.
O que leva as pessoas a desenvolver capacidades inatas são a educação que recebem e as oportunidades que encontram. Para Gardner, cada indivíduo nasce com um vasto potencial de talentos ainda não moldado pela cultura, o que só começa a ocorrer por volta dos 5 anos. Segundo ele, a educação costuma errar ao não levar em conta os vários potenciais de cada um. Além disso, é comum que essas aptidões sejam sufocadas pelo hábito nivelador de grande parte das escolas. Preservá-las já seria um grande serviço ao aluno. "O escritor imita a criança que brinca: cria um mundo de fantasia que leva a sério, embora o separe da realidade", diz Gardner.
Fonte: Nova Escola - Edição Especial 10/2008.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Grandes Pensadores - Paulo Freire

O mais célebre educador brasileiro, defendia como objetivo da escola ensinar o aluno a "ler o mundo" para poder transformá-lo.

Paulo Freire (1921-1997), o objetivo maior da educação é conscientizar o aluno. Isso significa, em relação às parcelas desfavorecidas da sociedade, levá-las a entender sua situação de oprimidas e agir em favor da própria libertação.

Ao propor uma prática de sala de aula que pudesse desenvolver a criticidade dos alunos, Freire condenava o ensino oferecido pela ampla maioria das escolas (isto é, as "escolas burguesas"), que ele qualificou de educação bancária. Nela, segundo Freire, o professor age como quem deposita conhecimento num aluno apenas receptivo. Em outras palavras, o saber é visto como uma doação dos que se julgam seus detentores. Trata-se, para Freire, de uma escola alienante, mas não menos ideologizada do que a que ele propunha para despertar a consciência dos oprimidos. "Sua tônica fundamentalmente reside em matar nos educandos a curiosidade, o espírito investigador, a criatividade", escreveu o educador.

Freire criticava a idéia de que ensinar é transmitir saber porque para ele a missão do professor era possibilitar a criação ou a produção de conhecimentos. Segundo o pensador pernambucano, o profissional de educação deve levar os alunos a conhecer conteúdos, mas não como verdade absoluta. Freire dizia que ninguém ensina nada a ninguém, mas as pessoas também não aprendem sozinhas. "Os homens se educam entre si mediados pelo mundo", escreveu. Isso implica um princípio fundamental para Freire: o de que o aluno, alfabetizado ou não, chega à escola levando uma cultura que não é melhor nem pior do que a do professor. Em sala de aula, os dois lados aprenderão juntos e para isso é necessário que as relações sejam afetivas e democráticas, garantindo a todos a possibilidade de se expressar.

A valorização da cultura do aluno é a chave para o processo de conscientização preconizado por Paulo Freire e está no âmago de seu método de alfabetização, formulado inicialmente para o ensino de adultos. Basicamente, o método propõe a identificação e catalogação das palavras-chave do vocabulário dos alunos – as chamadas palavras geradoras. Elas devem sugerir situações de vida comuns e significativas para os integrantes da comunidade em que se atua.

Diante dos alunos, o professor mostrará lado a lado a palavra e a representação visual do objeto que ela designa. Os mecanismos de linguagem serão estudados depois do desdobramento em sílabas das palavras geradoras. O conjunto das palavras geradoras deve conter as diferentes possibilidades silábicas e permitir o estudo de todas as situações que possam ocorrer durante a leitura e a escrita.

O método Paulo Freire não visa apenas tornar mais rápido e acessível o aprendizado, mas pretende habilitar o aluno a "ler o mundo", na expressão famosa do educador. "Trata-se de aprender a ler a realidade (conhecê-la) para em seguida poder reescrever essa realidade (transformá-la)", dizia Freire. A alfabetização é, para o educador, um modo de os desfavorecidos romperem o que chamou de "cultura do silêncio" e transformar a realidade, "como sujeitos da própria história".

Embora o trabalho de alfabetização de adultos desenvolvido por Paulo Freire tenha passado para a história como um "método", a palavra não é a mais adequada para definir o trabalho do educador, cuja obra se caracteriza mais por uma reflexão sobre o significado da educação. Distinguem-se na teoria do educador pernambucano três momentos claros de aprendizagem. O primeiro é aquele em que o educador se inteira daquilo que o aluno conhece, não apenas para poder avançar no ensino de conteúdos, mas principalmente para trazer a cultura do educando para dentro da sala de aula. O segundo momento é o de exploração das questões relativas aos temas em discussão, o que permite que o aluno construa o caminho do senso comum para uma visão crítica da realidade. Finalmente, volta-se do abstrato para o concreto, na chamada etapa de problematização: o conteúdo em questão apresenta-se "dissecado", o que deve sugerir ações para superar impasses. Para Paulo Freire, esse procedimento serve ao objetivo final do ensino, que é a conscientização do aluno.

Fonte: Nova Escola - Edição Especial 10/2008.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Grandes Pensadores - Jean-Jacques Rousseau


O pensador suíço prega o retorno à natureza e o respeito ao desenvolvimento físico e cognitivo da criança.

O princípio fundamental de toda a obra de Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), pelo qual ela é definida até os dias atuais, é que o homem é bom por natureza, mas está submetido à influência corruptora da sociedade. Um dos sintomas das falhas da civilização em atingir o bem comum, segundo o pensador, é a desigualdade, que pode ser de dois tipos: a que se deve às características individuais de cada ser humano e aquela causada por circunstâncias sociais.
O primeiro tipo de desigualdade, para o filósofo, é natural; o segundo deve ser combatido. A desigualdade nociva teria suprimido gradativamente a liberdade dos indivíduos e em seu lugar restaram artifícios como o culto das aparências e as regras de polidez.
Ao renunciar à liberdade, o homem, nas palavras de Rousseau, abre mão da própria qualidade que o define como humano. Ele não está apenas impedido de agir, mas privado do instrumento essencial para a realização do espírito. Para recobrar a liberdade perdida nos descaminhos tomados pela sociedade, o filósofo preconiza um mergulho interior por parte do indivíduo rumo ao autoconhecimento. Mas isso não se dá por meio da razão, e sim da emoção, e traduz-se numa entrega sensorial à natureza.
Como a vida em sociedade é inevitável, a melhor maneira de garantir o máximo possível de liberdade para cada um é a democracia, concebida como um regime em que todos se submetem à lei, porque ela foi elaborada de acordo com a vontade geral. Não foi por acaso que Rousseau escolheu publicar simultaneamente, em 1762, suas duas obras principais, Do Contrato Social – em que expõe sua concepção de ordem política – e Emílio – minucioso tratado sobre educação, no qual prescreve o passo-a-passo da formação de um jovem fictício, do nascimento aos 25 anos. "O objetivo de Rousseau é tanto formar o homem como o cidadão", diz Maria Constança Peres Pissarra, professora de filosofia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. "A dimensão política é crucial em seus princípios de educação."
Não há escola em Emílio, mas a descrição, em forma vaga de romance, dos primeiros anos de vida de um personagem fictício, filho de um homem rico, entregue a um preceptor para que obtenha uma educação ideal. O jovem Emílio é educado no convívio com a natureza, resguardado ao máximo das coerções sociais. O objetivo de Rousseau, revolucionário para seu tempo, é não só planejar uma educação com vistas à formação futura, na idade adulta, mas também com a intenção de propiciar felicidade à criança enquanto ela ainda é criança.
Para Rousseau, a criança devia ser educada sobretudo em liberdade e viver cada fase da infância na plenitude de seus sentidos – mesmo porque, segundo seu entendimento, até os 12 anos o ser humano é praticamente só sentidos, emoções e corpo físico, enquanto a razão ainda se forma. Liberdade não significa a realização de seus impulsos e desejos, mas uma dependência das coisas (em oposição à dependência da vontade dos adultos). "Vosso filho nada deve obter porque pede, mas porque precisa, nem fazer nada por obediência, mas por necessidade", escreveu o filósofo em Emílio.
Um dos objetivos do livro era criticar a educação elitista de seu tempo, que tinha nos padres jesuítas os expoentes. Rousseau condenava em bloco os métodos de ensino utilizados até ali, por se escorarem basicamente na repetição e memorização de conteúdos, e pregava sua substituição pela experiência direta por parte dos alunos, a quem caberia conduzir pelo próprio interesse o aprendizado. Mais do que instruir, no entanto, a educação deveria, para Rousseau, se preocupar com a formação moral e política.
Fonte: Nova Escola - Edição Especial 10/2008.